O pai grita que vai matar o filho, o técnico diz que o jogador é um burro! Muitas vezes escutamos coisas assim e esquecemos que estamos lidando com crianças, vulgo adultos em desenvolvimento…

Não pensamos que de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente): […] nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Nos casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Adicionalmente, é dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor, bem como toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.

Fonte: BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05.10.1988.

Entenda que se você constrange seu filho em público ou deixa que técnicos ou qualquer outra pessoa faça isso com ele, você está sendo conivente e negligente.

Criança é peça rara, criança precisa de cuidado, orientação. Ela não precisa de humilhação e nenhum tipo de agressão, seja ela verbal e principalmente física.

Nenhuma atitude de uma criança/ adolescente em quadra tem que ser motivo para ações vexatórias.

Não temos que ter medo de técnicos, não podemos deixar que tratem as crianças como bem entendem. Ganhar nunca foi e nunca será o objetivo de um educador que se preze. Esse tem que ensinar valores aos seus alunos, tratá-los com educação, com respeito. Não podemos esquecer que eles reproduzem tudo o que aprendem, então vamos pensar um pouco sobre isso:

1) Se percebem que seus pais não o defendem, podem achar que não são amados e cuidados, mesmo que essa defesa tenha que ser contra alguém que eles amam (Ex: seus técnicos);

2) Se são humilhados e xingados por pessoas com graus hierárquicos maiores do que eles, entendem que devem fazer a mesma coisa, então não reclame se o seu filho fizer algo que você não goste;

3) Se eles condicionam os comportamentos dos pais e dos técnicos aos demais colegas, não conseguem entender que as pessoas querem ajudá-los, só vão entender que tudo o que saia do controle podem causar algum perigo, portanto ele vão se defender de tudo e de todos;

4) Se eles não entenderem os significados das palavras: empatia, tolerância, resiliência e frustração, não tem motivo para estarem em uma quadra.

Percebe que ao invés de fazer o seu filho feliz, você pode causar o inverso? Exclusivamente por que quer que ele seja um jogador famoso? Ou qualquer outra coisa que sonhe para o seu filho.

O que estou querendo dizer é que pessoas só permanecem com seus comportamentos porque ninguém denuncia, ninguém reclama, ninguém faz nada.

Seja você a mudança no esporte, não acabe com a vida do seu filho! Reclame, denuncie. Não faça do sonho futuro dele um pesadelo constante.

2 Comentários

  1. Sarith, muitas vezes os técnicos não têm ideia de como obter mais do atleta e apelam para a violência das palavras.
    É difícil chacoalhar sem atacar.
    Quem atinge esse nível, torna-se referência.
    Bjs
    Renata

    • Não consigo entender que para render o atleta tem que ser atacado. Vivemos essa cultura de ação e reação…Acho que temos que conhecer os nossos jogadores para chegarmos ao cerne da questão! E isso requer cuidado, tempo, estudo… o que muitos técnicos não tem e não querem ter! Infelizmente…

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