Perder Kobe Bryant foi como perder um parente ou amigo

Podemos não ter conhecido Kobe pessoalmente, mas a dor que alguns de nós sentimos por sua morte ainda é real

Pai, o Kobe morreu!”, disse ao meu pai torcedor do Los Angeles Lakers que no mesmo instante pegou seu celular para confirmar o que tinha ouvido.

Era um domingo comum e estávamos todos em casa, afastados de celulares e noticiários. Possivelmente, estávamos assistindo Gente Grande, filme do Adam Sandler, sinto lhes informar (pois eu não suporto mais) o quanto meu pai adora e ri muito com esse filme ainda.

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Quando peguei meu celular, grupos do WhatsApp e Twitter, todos falavam sobre a possível morte de Kobe Bryant. O quê?! Kobe morreu? A filha dele estava a bordo? Era inacreditável. Minutos depois, era confirmado a morte de Kobe e de seu maior legado direto nas quadras: sua filha Gianna Bryant, de 13 anos

Além de Kobe e Gigi, Altobelli, técnico de beisebol, Keri Altobelli e Alyssa Altobelli, mulher e filha de John; Sarah Chester e Payton Chester, mãe e filha; Christina Mauser e o piloto Ara Zobayanaaa. Gigi, Alyssa e Payton jogavam no Mamba Team, as meninas eram treinadas por Kobe.

Em todo o mundo, Kobe foi um ícone cultural e uma grande estrela do basquete que passou 20 anos jogando pelo Los Angeles Lakers, mas para mim falecia o marido de Vanessa Bryant e pai de quatro meninas: Gianna, Natalia, Bianka e Capri.

Assim como parte da família Altobelli, Chester, Mauser e Zobayanaaa se foram. Mas, a morte de uma celebridade nos coloca frente a frente com nossa própria mortalidade, bem como com a perda da ilusão de que a vida é segura e previsível.

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Famosos e desconhecidos prestaram suas condolências às famílias, muitos disseram aos repórteres no Staples Center que sentiram como se tivessem acabado de perder um membro da família. Acredito que tenha sentido o mesmo, o mundo do basquete sofreu a morte de um de seus maiores nomes de todos os tempos.

Mas, como podemos ser tão profundamente afetados pela morte de alguém que nunca conhecemos pessoalmente? Por que algumas pessoas podem ver Kobe Bryant como um membro da família? Para nós, admitir que morremos, ou outra pessoa morre, que a morte existe, é algo muito difícil. 

Segundo estudos psicológicos, o fator que possa responder esse fato chama-se relações parassociais – “o indivíduo se sente muito identificado com uma figura de mídia e cria um vínculo contínuo e unilateral”.

A perda deve ser sofrida, quer seja um relacionamento pessoal ou um relacionamento à distância. Os fãs de Bryant seguiram sua carreira até a sua aposentadoria da NBA. Com sentimentos formados de longe, os fãs conheceram Bryant depois de assisti-lo jogar basquete na TV por anos. Acompanharam o florescimento da mentalidade mamba que impactou a muitos. 

Mas, talvez o ápice da dor (e de minha dor) tenha sido a nova devoção de Bryant não ter tido mais tempo. Ele deixa para trás um legado sobre-humano cujos talentos atléticos o faziam parecer maior que a vida, para ser um pai normal que só queria torcer pelas filhas como meu pai. Isso ampliou a identidade de Bryant além das quadras, lembrando aos torcedores apaixonados de seu papel como pai de quatro filhas – três das quais agora vive sem a irmã e o pai.

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Eu também acrescentaria que nossa tristeza pela morte de Kobe pode, na verdade, ser menos sobre ele e mais sobre nós. Não estou menosprezando a morte de Kobe e todas as vítimas naquele fatídico 26 de janeiro de 2020, e sim, como a nossa própria mortalidade evoca um terror existencial.

Em todo o momento, eu imaginava “como seria viver sem meu pai?!”. Em Gigi e Kobe, eu vislumbrava a minha relação paterna. Inúmeros jogos assistidos juntos em casa ou nos ginásios a fora. Meu primeiro jogo de basquete foi ao lado do meu pai e penso naquele dia incrível como se fosse hoje. Meu pai vive meus sonhos comigo, e assim era Kobe e Gigi.

Compreendi a preocupação da minha mãe, quando alguns jogos era a noite e chegávamos tarde em casa. Ela nos esperava acordada todas as vezes, sem esquecer das mensagens enviadas: Avisa quando chegarem? Que horas esse jogo acaba? Estão vindo?!. Perder a mãe, o pai, um filho, familiar ou amigo é algo que encabeça a lista dos maiores medos do homem.

A morte de Bryant e todos presentes naquele helicóptero foi um lembrete gritante de que a vida é muito curta para guardar mágoas e para não amar intensamente. Se estamos dando valor ao que temos, se estamos fazendo o que temos vontade e o que nos faz feliz. Se estamos amando e demonstrando esse amor para as pessoas queridas.

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É imprescindível analisar isso, porque a vida é um momento, um sopro como dizem quando a morte chega. Só levamos daqui o amor, a alegria, o carinho, a entrega que demos e recebemos e mais nada. Por que não lidamos melhor com a morte? Ao invés de temê-la, podemos entender que a morte não é a maior perda da vida, mas sim o que morre dentro de nós enquanto ainda vivemos.

Desse modo, assim como acontece quando alguém que conhecemos morre, é importante lembrarmos que a tristeza tende a passar ou diminuir. O luto deixa marcas, a superação da perda pode demandar também tratamentos psicológicos e/ou terapêuticos. A aceitação não acontece de uma hora para a outra, e é preciso que familiares ou amigos tenham o apoio de outras famílias, dos amigos e que, além de tudo, tenham sua privacidade respeitada.

Vimos muitas facetas diferentes de Kobe em toda a sua carreira, ele perseguiu seu sonho de infância implacavelmente e conseguiu vivê-lo para o mundo inteiro ver. Bryant era conhecido por uma busca implacável e muitas vezes solitária pela grandeza, mas em sua morte, ele foi lembrado como um pai.

Um ano sem Kobe Bryant!
Foto: Reprodução

A mentalidade mamba é um estilo de vida vencedor, Kobe viu e mostrou que a vontade de ser melhor a cada dia e buscar resultados constantes era um trabalho conjunto, em família. Afinal, tanto na vida, quanto no esporte, não se ganha sozinho.

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