Depois de muito tempo em quadra, acabamos percebendo o comportamento de quem chega com a vontade iminente de jogar basquete.

A vontade de fazer uma cesta a qualquer custo está longe da qualidade e da plasticidade que um arremesso pode proporcionar. Ele pode acontecer até de “lavadeira”, se cair é vitória pessoal na certa.

Muitos não tem competências motoras, seja pela idade, seja pela falta de conhecimento em relação a modalidade. E se não se sentirem acolhidos quando chegam, nunca mais voltarão.

Essa é a nossa função (técnico/educador), temos que ter o discernimento de que cada aluno está em uma fase do desenvolvimento e pedir muito mais do que ele pode oferecer é no mínimo desumano.

Temos que adaptar (de acordo com a característica de cada equipe) uma forma dos alunos se sentirem livres para ter autonomia.

Tenho falado sobre isso e acho cabível citar novamente: o acolhimento é a porta mais bonita que pode existir em uma quadra.

Ele acontece desde a recepção do técnico, a apresentação aos outros alunos, ao entendimento das restrições do aluno, ao reforço positivo em relação ao exercício executado, à baixa do retorno negativo (ele não vai ajudar nunca), o comportamento do técnico em relação ao seu linguajar e sua forma de falar com o aluno, a ruptura de paradigmas negativos que o aluno já carrega de outros ambientes, a conversa com os pais, ao conhecimento da história daquela vida que a partir daquele momento, fará parte da sua vida .Saber se alguém joga ou não pode ser fácil. Fazer a diferença na vida de alguém é bem mais difícil.

Carregamos mais essa função e devemos sentir orgulho disso, porque temos todos os dias a possibilidade de ver alguém sorrir porque estamos fazendo um bom trabalho. Porque ao contrário do que muitos pensam, não estamos formando jogadores. Estamos formando cidadãos e nossos ensinamentos reverberação por longos anos, você está satisfeito como tem ensinado?

Reflita, sempre temos um novo dia para tentar ser melhor, se for o melhor pra si mesmo, certeza que será (e dará) o melhor para o seu aluno.

Acolha, você já foi acolhido.

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