O título é um tanto quanto interessante, Habilidades Motoras específicas do Basquete e Formação Técnica do Técnico ou treinador de Basquetebol, um trabalho que estava parado aqui e resolvemos trazer para a redação do Área.

Esse texto foi escrito em Portugal por dois autores, Cruz e Bugalhão, eles fizeram um pesquisa um tanto quanto interessante sobre os técnicos de basquetebol.

Segue o resumo do trabalho, Habilidades Motoras Específicas do Basquetebol e Formação Técnica do Treinador

Uma das questões mais pertinentes no estudo dos Jogos Desportivos Colectivos (JDC) está relacionada com a tentativa de explicar e até mesmo prever, a“rota” do sucesso.

Sabendo que o aparecimento de atletas de alto nível está condicionado pela formação ministrada nos escalões mais jovens e que estes necessitam de um treino específico, estarão os treinadores a desempenhar o seu papel com eficácia? Será que os treinadores procuram desenvolver procedimentos de treino adequados, respeitando o plano de carreira do atleta ou, apenas para se auto-promoverem com os sucessos imediatos?

O presente tem por objectivo comparar a prestação técnica de jovens jogadores de basquetebol de acordo com a formação técnica específica dos respectivos treinadores.

A amostra é constituída por 41 indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 13 e os 14 anos e que integravam as equipas de iniciados que disputavam o Campeonato Distrital da Associação de Basquetebol de Leiria, na época de 2001/2002, dividida em 2 grupos segundo o grau de formação dos respectivos treinadores; Grupo 1 (Gr. 1) – 20 atletas com treinadores (2) de Nível 1 da FPB/ENB e; Grupo 2 (Gr. 2) – 21 indivíduos com treinadores (2) de Nível 2 da FPB/ENB.

As habilidades motoras analisadas foram o lançamento, drible e deslizamento defensivo.

Os jovens basquetebolistas orientados por treinadores de Nível II, no que respeita ao lançamento, concretizam mais pontos face ao grupo de jovens com treinadores de Nível I [4,8 ± 8,74 vs. 32,6 ± 6,18 (p=0,388)].

No que respeita ao drible, também o Gr.2 apresenta os melhores valores (o melhor resultado corresponde ao menor tempo de execução), com 20”,2 ± 2”,18 contra 20”,9 ± 1”,78 segundos registados pelos atletas do Gr. 1. Esta diferença não é, no entanto, estatisticamente significativa (p=0,285).

A prova de deslizamento defensivo é completada pelos atletas do Gr. 1 num espaço de tempo mais reduzido que o necessário pelos atletas do Gr. 2 [27”,4 ± 3”,56 vs. 27”,8 ± 2”,60 (p=0,368)].

Embora as diferenças entre os dois grupos não sejam significativas, se analisarmos os dados à luz do tempo de prática, verificamos que os atletas do Gr. 2 praticam a modalidade há menos tempo que os do Gr. 1 [1,4 ± 1,50 anos vs. 2,9 ± 1,73 anos (p=0,003)]e esta diferença é estatisticamente significativa.

Tendo em conta a orientação do treino, os dados parecem indicar uma maior preocupação dos treinadores de Nível II no que respeita às metodologias de treino aconselhadas para os escalões de formação: maior incidência nos aspectos ofensivos e menor incidência nos aspectos defensivos, no sentido de potenciar o desenvolvimento dos atletas.

Perante os resultados obtidos, somos levados a concluir que:

– A formação do técnico parece desempenhar um papel determinante na aprendizagem e domínio dos fundamentos do jogo de basquetebol;

– Uma formação técnica mais avançada tem consequências práticas vantajosas ao nível da aquisição dos fundamentos ofensivos, aspectos essenciais na aprendizagem da modalidade.

O Texto faz uma comparação entre os Técnicos mais experientes e com “menor” formação X Técnicos menos experiência mas com “maior” formação.

Interessante é que eles afirmam que os técnicos experientes são mais ligados a vitória do que a formação plena dos atletas em formação.

Pensando sobre cheguei a um denominador: Será que nesse caso os técnicos estão buscando a ascensão através da falsa glória do trabalho, visto somente pelas vitórias e conquistas e não pelo processo?!

Acredito que é algo a se pensar.

Porque o trabalho algumas vezes é premiado com as vitórias não com a analise do processo.

Não estou dizendo que isso seja certo, mas infelizmente em alguns lugares é assim que funciona e é uma hipótese levantada através do estudo dos autores.

Outra dúvida é será que o técnico mais experiente não pode ser um ex-atleta, onde ele mesmo com a formação de treinadores acaba reproduzindo o modelo de ensino que ele vivenciou?

Antes que me entendam errado!

Acredito que o caminho seja o foco no técnico menos experiente, mas que muitas vezes esses cargos devem ser ocupados pelos professores mais experientes, devido a bagagem técnica que pode ser passada para os alunos, que ai sim passariam para os professores menos experientes, que por sua vez podem moldar o trabalho deles em torno dos atletas e dos comportamentos técnico-táticos que pretende trabalhar.

O trabalho foi escrito por:
Profº Ms.João Cruz
Profº Ricardo Bugalhão

Trabalho publicado na http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 122 – Julho de 2008.

Segue texto para Download CRUZ; BUGALHÃO – Habilidades Motoras Específicas do Basquetebol e Formação Técnica do Treinador.

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