Giovanna Terezzino e a arte de reportar histórias

Referência no jornalismo e no NBB, Giovanna Terezzino relembra momentos marcantes na LNB e revela o início da carreira

Há sete anos, os momentos mais marcantes da história do Novo Basquete Brasil (NBB) são contados em reportagens in loco. E se caracterizam por serem informativas e espontâneas, ainda mais com as atuações impecáveis de Giovanna Terezzino, que com sua voz alegre e calorosa, conquistou os telespectadores durante as partidas do NBB.

Ela fez sua trajetória profissional com a mesma competência e criatividade de sua performance diante das câmeras. E assim, se tornou a mais importante repórter do NBB ao revolucionar as transmissões na web. Em entrevista ao Área Restritiva, a jornalista falou sobre  tudo e relembra os momentos mais marcantes.  

Formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Giovanna revela como o seu destino começa a ser traçado:

“Minha paixão pelo jornalismo surgiu ainda na escola. Eu brinco que foi por pura pressão da professora de redação (risos). Ela falava que eu escrevia bem e me desenvolvia com segurança nas apresentações. Mas, a verdade é que sempre me imaginei apresentando um programa, sempre amei televisão.”

Transmissão da Liga Ouro será exibida no Facebook oficial do NBB pela 1ª vez. Foto: Luiz Pires/LNB.

Gi Terezzino: Basquete é uma modalidade apaixonante

Ela iniciou a carreira jornalística como estagiária em assessoria de imprensa. Em 2015, surgiu a oportunidade: uma vaga de estágio na equipe de comunicação da LNB. Era a chance de trabalhar com a bola laranja, que, rapidamente, virou paixão.

O basquete entrou na minha vida no colegial, virei sócia do Palmeiras (clube) e lá fiz amizades com algumas pessoas que ali jogavam. Comecei a acompanhar os jogos e fui infectada por aquele famoso bichinho da modalidade (risos). Depois que você entra, não consegue mais sair.

É uma modalidade apaixonante. Continuei acompanhando, entrei na faculdade de jornalismo e, no segundo ano, vi uma publicação da LNB sobre a oportunidade de fazer parte da equipe como estagiária. Mandei meu currículo, participei de todos os processos, e passei. Foi só alegria!” – revela Giovanna.

Nos últimos anos, as redes sociais e as plataformas de transmissão ao vivo se tornaram canais amplamente utilizados para cobrir eventos esportivos, dando às ligas e/ou emissoras a flexibilidade de explorar diferentes conteúdos e atrair mais fãs.

O NBB e o Marco do Jornalismo Esportivo

O NBB foi um dos pioneiros no Brasil na transmissão de jogos pelo Facebook Watch. Giovanna faz parte do projeto desde o início como repórter da equipe de transmissão da liga nos jogos transmitidos. Unindo a paixão pela profissão e pelo basquete, criou sua própria maneira de informar. 

Quando entrei na LNB, as coisas começaram a fazer sentido. Cuidava das redes sociais junto com o Bernardo (Guimarães), um colega de trabalho queridíssimo e comentava em almoços, conversas despretensiosas que tinha o sonho de ser repórter. Para a minha surpresa, lembraram dessa informação três anos depois e fizeram o convite para eu segurar o microfone nas transmissões ao vivo do NBB. Fui na cara, na coragem e sem nenhuma experiência e estou aqui até hoje (risos). O mais engraçado é que sou super tímida, mas quando a câmera liga alguma coisa acontece e eu sei exatamente o que preciso fazer.”

E detalha ainda seu ritual de trabalho: “Minha preparação para as transmissões é sempre a mesma. Pego todas as informações possíveis sobre as equipes que vão jogar e anoto em um caderno (sim, eu sou dessas). Uso cores diferentes enquanto escrevo para destacar o que considero mais importante, entro em contato com as assessorias para confirmar desfalques, possíveis novidades ou informações de última hora. Me programo para chegar com pelo menos uma hora de antecedência.

Entre Facebook, Twitter e eventos da LNB, Giovanna Terezino esteve em todos os grandes momentos da LNB.
Entre Facebook, Twitter e eventos da LNB, Giovanna Terezino esteve em todos os grandes momentos da LNB. Foto: Divulgação/LNB

Testo fone, microfone e revejo o que vou falar nas entradas em que apareço. A única mudança que senti no processo durante esses anos foi que agora consigo ser mais sucinta nas informações que pesquiso. Hoje, sei o que é mais importante e o que realmente vai agregar na transmissão. No começo eu chegava no ginásio munida de três, quatro folhas de anotações (risos). Agora consigo me virar bem com uma só.”, detalha.

A repórter descreve a sensação e a emoção de poder participar das finais do NBB in loco como única: “Você vê todo o trabalho de uma temporada sendo finalizado com jogadas emocionantes, esforços inacreditáveis de todos que fazem o campeonato acontecer e muita paixão dos torcedores que estão no ápice da ansiedade. É uma grande responsabilidade, mas o prazer compensa tudo!”

E ainda destacou um jogo especial nos Playoffs de 2017/2018 entre Universo/Vitória e Minas Tênis Clube, que teve três prorrogações.

Olha, os playoffs são emocionantes por si só. Os jogadores entram com outra postura, você sabe que um erro ou um acerto podem fazer a diferença; cada bola conta como se fosse a última. Mas sempre vou resgatar a batalha de Cajazeiras. Foi um jogo épico de três prorrogações entre Universo/ Vitória e Minas Tênis Clube. Eu realmente pensei que não ia acabar nunca. A torcida em Salvador é completamente apaixonada, criaram uma atmosfera incrível no ginásio até o último segundo, e a narração do Guilherme Maia fechou com chave de ouro. Fico arrepiada só de lembrar, foi realmente um presente estar presente nesse jogo.”

Ser Repórter é a arte de reportar emoções

Ao longo desses anos, a repórter reúne episódios para lá de inusitados que mostram que o trabalho não é nada fácil e que perrengues fazem parte do ofício. Segundo Giovanna, as situações divertidas da equipe de transmissão, alguns com Guilherme Maia e Ricardo Bulgarelli. E ela já pensa no que fazer com essas histórias.

Brinco que a equipe de transmissão poderia facilmente escrever um livro com a quantidade de pérolas existentes (risos). Foram muitas viagens e muitas situações. É difícil destacar apenas uma. 

O Maia é o rei da sorte, ele chega em cima da hora pra absolutamente tudo e conta com um anjo da guarda muito fiel (risos). Já tivemos que segurar a decolagem de um voo para ele entrar a tempo. Quase perdemos um jogo em São José porque eu esqueci de abastecer o carro e a gasolina acabou no meio da estrada. 

São tantas lembranças boas! A convivência era diária, intensa, nível de intimidade com zero vergonha, então, sabíamos tudo um do outro; desde os gostos como o Cadum, que ama Coca-Cola Zero; o Bulgarelli que coloca azeite em tudo; o Gui que precisa comer todas as opções do buffet; e eu, que sou preguiçosa e não saio por nada, só pra comer (risos). Quem sabe esse livro não sai um dia.”

A arte de reportar emoções como informações define a caminhada de Giovanna até aqui. Restringir as partidas meramente ao local de jogo, jogadores, técnicos e/ou torcida é se esquecer das demais sensações que o basquete proporciona.

Foto: Divulgação/LNB

É essa a tarefa do repórter em quadra. Muito além da informação e da qualificação técnica, Giovanna capta e transmite impressões aparentemente indescritíveis ou não vistas por quem assiste, narra e comenta o jogo. Não é para qualquer um. Isso dá amplitude para um caminho abrangente para que mais mulheres reportem ou comentem em uma transmissão de basquete masculino. As mulheres passaram a buscar o protagonismo. E, assim como em quadra, ela deu a sua palavra:

Conquistem cada vez mais espaços, falem cada vez mais de basquete, incentivem outras mulheres que também são apaixonadas por basquete ou por qualquer outro esporte. Lugar de mulher é onde ela quiser! Tenham coragem, mostrem o quão f*das vocês são e trabalhem duro. Tenho orgulho de tudo que estamos construindo e conquistando. Isso é um legado para as próximas gerações!”

Giovanna Terezzino

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