O árbitro aposentou-se na NBA e seguiu um caminho religioso

O apito é o instrumento principal da atividade do árbitro; a cruz é o símbolo máximo do Cristianismo. A união dos dois pode parecer um pouco inusitada, por isso Steve Javie decidiu trocar um pelo outro e, após sua aposentadoria das quadras, tornou-se um diácono da Igreja Católica. 

O diácono tem a função de ajudar, nas missas e outros ritos, o padre ou bispo, além de poder fazer sermões e distribuir a comunhão. Dentro das quatro linhas da NBA o diácono seria o referee, segundo em comando após o crew chief. Mas nas quadras Javie foi um dos árbitros principais mais reconhecidos, participando de 1.514 jogos da temporada regular, 243 de playoffs e contabilizando 23 partidas de finais.

O Arbitro que trocou o apito pela cruz e as quadras pela sacristia.
Steve Javie conversa com Dwyane Wade durante partida. Foto: Divulgação/NBAE

Em nome do pai

Conhecido pelo seu excelente controle de jogo e pela rapidez com que apitava faltas técnicas, Javie trabalhou na NBA por 25 temporadas, o que dava orgulho a seu pai, Stan, um ex-árbitro de campo da NFL e com quatro Super Bowls no currículo. Com tanta experiência, ele foi enfático ao aconselhar que o filho se aposentasse em 2011, principalmente por causa de uma artrite no joelho direito: “você tem que sair enquanto seu trabalho é respeitado”. E assim o fez Steve Javie. Ao passar por cirurgias e tratamentos para aliviar as dores de seu joelho debilitado, as orações eram a maneira de Javie lidar com o sofrimento e pedir a Deus, como sempre gosta de contar, que desse a ele o direcionamento de seu futuro após a NBA. E isso foi o que aconteceu.  

Do filho e do Espírito Santo

O senhor de 65 anos nascido na Philadelphia fala calmamente a espectadores interessados. Não é uma palestra profissional ou mais uma de suas análises de arbitragem como consultor na ESPN, mas um sermão. O local é a Igreja Católica de St. Andrew e curiosamente ela está vazia. O público, por conta da pandemia, acompanha em suas casas a homilia de Javie. Para ele, a presença virtual não oferece empecilhos, pois “o que realmente conta é o espírito.”

“As pessoas estão com medo do que vai acontecer, da economia e de sair de casa. Você tem que dar a eles a esperança de que isso irá passar. Minha função é transmitir confiança, dizer a eles que acreditem no Senhor e se reconectem com os outros.” Suas palavras também são acompanhadas por ex-árbitros como o polêmico Joey Crawford, que considera Javie o seu melhor amigo.

O Padre Steve Javie
Steve Javie em um dos sermões presenciais na Igreja de St. Andrew, em 2019. Foto: The Philadelphia Inquirer

Em uma igreja ou no também sagrado – para os fanáticos pela NBA – chão do Replay Center da liga, de onde participa como analista em muitas partidas, Steve Javie é um homem tranquilo e que gosta de seguir ao pé da letra as regras – sejam elas de arbitragem ou as da Bíblia. Para ele, a caridade é algo que deve sair da teoria, e com essa intenção de edificar criou a The Javie Foundation Charity, que angaria fundos para crianças abandonadas e pessoas sem-teto na área de sua cidade natal. A fundação já arrecadou mais de um milhão de dólares através de donativos e bailes beneficentes.

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Fé ou objetividade é o que ajuda Javie a superar situações adversas. Em 1999 seu nome apareceu em uma lista de 15 árbitros que estariam, segundo uma investigação interna da NBA, embolsando dinheiro e impostos na mudança de passagens de primeira classe por bilhetes da área econômica dos aviões. Ele se declarou inocente e provou que sua troca era feita por milhagens, o que não gerava impostos e nem valores em espécie. Para Javie, o período de duas semanas até que fosse inocentado foi “um dos piores de minha vida”, como declarou recentemente. 

Agora os domingos não são da NBA, mas dos fiéis que veem em Steve Javie um dos pilares da comunidade da paróquia de St. Andrews, o que prova que a aposentadoria na NBA não significa uma vida sem emoções, mas a descoberta de um novo caminho.

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