As dores de cabeça de Brad Stevens

Em uma das temporadas mais desafiadoras do Celtics, Brad Stevens terá problemas na busca do título

O Boston Celtics hoje divide com o Los Angeles Lakers a liderança de número de títulos da NBA – 17 troféus -, e com isso surge a urgência para retomar a primeira posição desse ranking. Danny Ainge, general manager do time, vem construindo, ao lado do técnico Brad Stevens, um elenco bem particular para a temporada, porém alguns aspectos ainda podem prejudicar bastante essa corrida da franquia alviverde ao pódio.

Homens enormes, grandes problemas

A maior e mais evidente das questões enfrentadas por Stevens é em relação aos pivôs do time. O Boston passou por uma temporada onde ficou evidente a falta de proteção no garrafão, bem como uma deficiência ofensiva também na área pintada. Atualmente, os pivôs do Celtics são Daniel Theis, Robert Williams, Tacko Fall e, vindo do Cleveland Cavaliers para complementar o time nessa temporada, Tristan Thompson.

Daniel Theis, normalmente o titular que joga na posição 5, tem média de 4,3 rebotes por jogo, pontuação que não o coloca nem entre os 50 melhores reboteiros da liga. Além disso, ele não ajuda a equipe com rebotes ofensivos, que são a segunda chance para pontuar no ataque do time, fazendo apenas 1,1 deles por jogo. Outra lacuna que o garrafão do Celtics apresenta é a falta de proteção e cobertura: a defesa do garrafão ainda é falha.

Brad Stevens certamente, com seus anos de experiência e lidando com esse problema do Boston Celtics há mais de uma temporada, busca estratégias para fortalecer a posição 5 do time. A vinda de Thompson trouxe grandes melhoras, principalmente nos rebotes ofensivos – ele tem uma média de 8,5 rebotes por jogo, sendo 3,1 rebotes ofensivos -, porém a posição dos pivôs no Boston ainda precisa explorar um melhor espaçamento de quadra para permitir que os jogadores de perímetro estejam em boas condições para pontuar, seja infiltrando ou através de arremessos de longa distância.

Com os pivôs mais conscientes das movimentações e posições em quadra, o Boston melhorará a produção ofensiva e também o posicionamento para a proteção do seu próprio garrafão, diminuindo a sua vulnerabilidade defensiva.

Daniel Theis, é um problema ou solucionador de problemas do Brad Stevens
O pivô Daniel Theis, tem atuações questionadas desde da NBA Bubble. Foto: Harry How/Getty Images.

Brad Stevens aposta na experiência e ganha na inexperiência

Outra grande falta que os torcedores sentem é a ausência de Kemba Walker em quadra. O armador quatro vezes All-Star está passando por um tratamento no joelho e tem previsão de volta às quadras somente entre o final de janeiro e começo de fevereiro. Com isso, o Boston Celtics tem que enfrentar suas limitações na rotação do time, principalmente em relação à figura responsável pela visão da partida e criação de jogadas.

Nesse período sem Kemba, normalmente é Marcus Smart quem tem assumido a posição de armador titular do time. Essa escolha de Stevens busca suprir a falta do jogador principal dessa posição, porém prejudica a função 2 que originalmente Smart assume, onde facilita jogadas para a dupla JayJay (Jayson Tatum e Jaylen Brown).

As outras opções do técnico celta seriam Jeff Teague, Tremont Waters, Carsen Edwards e Payton Pritchard. Teague, uma das apostas da free agency, é um jogador experiente, em sua 12ª temporada, porém teve um desempenho inconstante em quadra neste início. Teague marcou 12 pontos num jogo e dois no seguinte, com 20 minutos em quadra. Se avaliarmos seu desempenho fora do box score, ele também ficou a desejar como facilitador de jogadas. Com isso, quem está ganhando destaque nessa posição é o calouro de Oregon, Pritchard, com médias de 8,3 pontos, 2,4 rebotes e 3,2 assistências nos seus 22 minutos em quadra por jogo. Ele já foi, inclusive, responsável por um game winner contra o Miami Heat nesta temporada.

Pritchard foi o remédio que o técnico celta precisava.
O calouro Pritchard, vem se destacado no elenco de apoio Celta. Foto: Mike Ehrmann/Getty Images

A juventude resgatando a tradição do Celtics

Talvez um dos pontos que mais chame a atenção no elenco do Celtics é a média de idade do elenco – 24 anos. Se o time fosse um jogador da NBA, estaria provavelmente iniciando seu quarto ano na liga. Essa juventude da franquia torna-se uma fragilidade frente a elencos já mais experientes e com constância de jogadas.

Chega a ser um paradoxo o potencial físico que os jovens jogadores dispõem, em contraponto a sua pouca experiência de jogo. E conforme essa experiência é conquistada em quadra, a condição física já entra num declínio, em alguns casos, devido à idade que eles atingem. É desafiador ser um jovem jogador, dentro e fora da NBA. Portanto, o ideal é conseguir equilibrar essa balança o quanto antes. E essa é a aposta que o Boston faz diante de seu elenco novato.

Jayson Tatum é a nova cara do Boston Celtics.
Jayson Tatum continua crescendo dentro do elenco celta, comandado por Brad Stevens. Foto: Maddie Meyer/Getty Images

Nessa corrida para desenvolver seus atletas, a comissão técnica do Boston tem grande responsabilidade, pois eles podem lapidar esses jovens, juntamente com os jogadores mais experientes do time. Um dos que já mostrou grande avanço é Jayson Tatum, 22 anos e médias de 26,3 pontos por jogo na sua quarta temporada na NBA. Frente a uma das franquias mais tradicionais da NBA, Tatum já assumiu seu papel de líder da equipe e vem conquistando os torcedores celtas a cada jogo que passa. Ele vem determinado a levar o Celtics novamente para a primeira posição do ranking de títulos na NBA.

A temporada de 2020/21 será desafiadora para o técnico Brad Stevens, trazendo uma responsabilidade maior ainda diante da possibilidade de perder a liderança dos títulos; porém, todas essas dores de cabeça podem ser solucionadas com o remédio correto, no tempo certo – e talvez uma simples aspirina venha a resolver seus problemas.

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