Um pedido de desculpas é válido e se acompanhado do aprendizado é benéfico. Medir forças nas redes pelo erro não é.

4:04 da manhã e tenho passe livre na madrugada para escrever meu texto semanal.

Em dias mais benevolentes acredito que falte a uma boa parte das pessoas que postam nas redes sociais autocorreção e empatia. Porém nos dias mais corridos e batalhados acho que adultos sabem exatamente o que escrevem e que no máximo fazem uma rápida mensuração sobre o bônus e o ônus de cada palavra publicada.

Como a vida em tempos de apocalipse pandêmico já é sofrida demais, vamos (re)explicar o que é importante nas redes sociais. Não lançaremos mão de teorias acadêmicas, mas da famosa placa em um jardim de infância que viralizou há algum tempo:

NÃO MORDA O COLEGUINHA

Isso não serve somente para etiqueta social, mas é a razão da vida.

Escreveu, releu e viu que pode afetar um grupo em específico? NÃO MORDA O COLEGUINHA.

Postou e só depois “percebeu” que era ofensivo? Apague e peça desculpas. NÃO MORDA O COLEGUINHA.

Desculpas precisam ser sinceras e munidas da boa vontade de aprender, de interiorizar o real conceito distorcido no erro. E dentro da nossa rotina atribulada vale até postar o GIF de rosa com purpurina em fundo preto com letras rosas em fonte Comic Sans que dizem “desculpe e tenha um bom dia”. Sem muitas delongas, mas com a intenção de seguir em frente tendo em mente o que é o certo e o justo.

Mas o que é o “certo”?

Aqui faremos um pequeno, porém útil, Dicionário Basqueteiro de Conceitos Comparados™. Assim os amigos da mídia que são trabalhadores da madrugada não correrão o risco de mais “equívocos” (deixarei aqui outras aspas para os que desejem colocar mais delas nessa palavra – “”“”“”):

Local de fala: 

Cada etnia, raça, gênero/agênero, religião ou grupo social possui o direito inerente de se expressar e de, principalmente, balizar o que é ou não ofensivo. A calibração da régua de avaliar se foi ou não preconceito/discriminação é de quem sofreu tais atos. Ofereça apoio jurídico, logístico ou emocional, mas não tome o local de fala da pessoa para tentar explicar que aquilo foi apenas um pequeno “engano” ou mera “brincadeirinha”.

Local de fala segundo o basquete:

Só quem pode falar por minutos a fio sobre qualquer assunto é Zeus Popovich, o Deus do Olimpo das quadras, que discursou (muito bem) sobre justiça social nos EUA em uma de suas últimas coletivas ao ser perguntado sobre a escalação de um jogador lesionado. Então se você não é o Pop, guarde tua jersey na mochila e siga em frente deixando o local de fala pra quem é pertencente a ele.

Mulher:

Ser igual a você que é homem.

Mulher no basquete:

Ser igual a você que é homem. Pode ser fã, produtora de conteúdo, atleta, técnica, executiva, colaboradora de apoio ou dona de time: é igual a você que é homem.

Madrugada:

Período compreendido entre a noite e a manhã seguinte. Há pessoas que dormem na madrugada, outras que trabalham e algumas que encaixam seus hobbies justamente nesse (quase sempre) calmo espaço de horas.

Madrugada no basquete:

Em países como o Brasil é o período onde se concentram alguns dos últimos jogos de cada rodada da NBA. E quem fica acordado de madrugada para assistir ao basquete mais competitivo do mundo? O famoso Instituto de Pesquisas Tireido Ku diz que são homens, mas pelo movimento de postagens no Twitter, por exemplo, só de eu passar o olhinho assim rapidinho nos avatares percebo que há MUITAS, mas MUITAS mulheres assistindo e analisando os jogos.

Seria hora de cancelar o boletim informativo do renomado Tireido Ku, coçar a cabeça e pensar HUMMMMMM, MUITAS MULHERES VEEM OS JOGOS? Ou perpetuar o discurso machista para agradar um público pega janta que replica memes de gênero? Uma escolha difícil, como já dizia o famoso editorial do jornal com final ÃO.

Desculpas

Um pedido de perdão é um conceito amplamente utilizado quando uma pessoa erra (e quantas vezes nos equivocamos durante o dia? Muitas, no mínimo) e pasmem, quer aprender para colocar mais um tijolo no castelinho da evolução pessoal e social. 

Desculpas no basquete

O que Charles Barkley deveria fazer a cada minuto no programa da TNT onde profere comentários pertinentes (SQN) sobre os playoffs, por exemplo. Pode fazer seu tweet de desculpas com uma pegada chorosa, ou até mesmo cômica, lançando mão do meme do Nick Nurse boquiaberto ou do Patrão Lebrão™ olhando languidamente para a câmera. Mas o importante é ser sincero e humilde, duas qualidades que não saem de moda desde a época de Bill Russell. 

E se precisar de mais inspiração ainda, mande imprimir no jersey do seu time, acima do número, a mensagem emblemática que o mundo precisa conhecer: NÃO MORDA O COLEGUINHA.

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