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  Silver na Malásia 04: A nossa DESorganização tem me incomodado

Estava demorando para voltar eis que voltei. Mais um textinho sobre minhas aventuras com o Basquetebol na Malásia e agora mais do que nunca um comparativo, talvez uma sugestão para gestores do nosso amado Basquetebol.

Já expliquei para vocês que o esporte na Malásia funciona muito bem em nível escolar, uma grande responsabilidade disso veem das escolas particulares e internacionais, devido as grandes estruturas que elas possuem e que na minha opinião são melhores que de muitos clubes no Brasil.

Mas tem uma coisa que eu fiquei feliz em conhecer agora e que no Brasil eu não vejo funcionar dessa forma o que é uma pena. Os ‘Clubes de Esporte Escolar’ tem as suas divisões internas para assim poder ter o maior número de inscritos e todos jogarem e eles tem o Esporte como ferramenta de desenvolvimento social em todos os aspectos.

Para vocês entenderem melhor como funciona o esporte aqui, como funciona essa organização vou usar como exemplo uma das escolar que eu atendo aqui, ela é uma das maiores escolas da Malásia, com grande tradição em diversos esportes, inclusive com alguns atletas olímpicos saindo dessa escola para defenderem seus países.

Essa escola, organiza suas equipes tendo uma equipe “A” que é a que normalmente disputa as competições mais fortes, uma “B” e as vezes uma “C”, não contentes eles montas as “Academias”, que são as aulas de iniciação em todas as modalidades que eles tem equipes de competição, não importa se em esportes individuais ou coletivos.

Mas o ponto chave disso é como eles tratam as turmas de iniciação e as equipes B e C, principalmente as de iniciação. Os atletas que vão para esses grupos são tratados de perto por profissionais capacitados, muitas vezes mais de um por equipe e eles tem o foco o desenvolvimento cognitivo e psicológico, para depois pensarmos em um plano psicomotor ou sócio-afetivo.

Eles se preocupam em trazer as crianças para um momento de superação, o objetivo desses grupos é desenvolver o conceito de superação, de preciso melhorar, de preciso desenvolver alguma coisa, para alcançar o próximo nível. Algo que culturalmente aqui é muito forte, é algo normal você ir em uma quadra ou em um campo e encontrar um menino ou menina arremessando, treinando controle de bola ou grupos pequenos se ajudando em alguns exercícios, é normal ver isso até mesmo no Sub-13 ou no Sub-11.

Mas o que mais me chama a atenção é que ninguém fica de fora, ninguém é descartado. Eles tem essa questão de divisão bem forte e organizada e deixam claro que se hoje você não está na equipe “A” é porque você não foi bom o bastante, então volte amanhã e faça melhor. Da mesma forma que quem está na equipe “A” se não continuar a se desenvolver ele irá para a equipe “B” ou “C”. Mas tem espaço para todos.

Nessa escola, fiz seletivas para o Sub-11 e para o Sub-13, masculinos e femininos. Para ter idéia dos números, só estudantes participaram. Foram cerca de 60 crianças no Sub-11 e Mais de 90 no Sub-13, todas elas estão entre as equipes “A”, “B” e a Academia.

Esse é o ponto que me incomoda no Brasil, toda semana eu preciso parar e responder e-mails de crianças e adolescentes de ambos os sexos, que estão procurando equipes, ou que não foram selecionadas anteriormente e estão sem jogar.

Eu desconheço clubes que tenham essa opção de equipes A, B, C e escolinhas em todas as suas categorias. Alguns projetos sociais fazem esse papel, ou o que pode chegar mais perto disso é o Paulistano que tem uma espécie de convênio com o Continental Parque Clube, com isso o Continental Basketball se torna uma espécie de Base da Base do Paulistano, que as vezes seleciona atletas do Clube.

Outro clube em São Paulo que tem um processo parecido mas somente interno é o Pinheiros, que até o Sub-15 conta com um número grande de atletas, em sua grande maioria para não dizer quase todos são sócios do clube. Nesse caso eles tem uma equipe que jogam competições da Federação Paulista e outra que disputa partidas da Liga Paulista de Basketball.

Essa é a parte que me incomoda da nossa DESorganização, de que adianta bater na tecla de que precisamos investir na base, se não temos como alocar a grande maioria dos atletas?!

Precisamos investir na Base, Okay?!

Então investimos em profissionais, em atletas, mas esquecemos a estrutura. Não temos quantidades de clubes, mas será que os clubes não podem aumentar a quantidade de equipes?! Firmar convênios?!

Eu não estou esquecendo que nosso esporte passa por uma crise financeira, mas até então temos as leis de incentivo e elas servem para isso não?!

Enfim, deixo a reflexão para vocês, aqui o esporte sem Lei de Incentivo funciona nas categorias de Base. No Brasil com Lei do Incentivo o nosso esporte não funciona devidamente, então onde está o erro?!

Quanto aos textos anteriores:

EPS Brazil Sports Academy – Silver e a aventura na Malásia

Silver na Malásia 02: A Organização Esportiva na Malásia

Silver na Malásia 03: Mas como isso funciona?!

SOBRE O AUTOR

Diego Andrade, mais conhecido como Diego Silver. Professor de Educação Física. Pai, viciado em coisas de Nerd e é claro entusiasta do Basquetebol. Ex-Aluno do Bi-Campeão Mundial Rosa Branca, quando o mesmo era servidor do SESC Consolação.

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